The Village Tapes – Poems recorded – December 7, 1970

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James Douglas Morrison

As fitas do Village – poemas gravados – 7 de dezembro de 1970.

 

Vem

para todos o mundo se deleita

silentes e apaixonados

singram verdes barcos

sobre a superfície do

Oceano, e gaivotas

planam presunçosas dentre

aeroplanos

Magras casas aleijadas

Esganam os precipícios

A Leste, nas cidades

um rumor de vida

invade, agora vem

 

Da Grande Insana

Noite Americana

Nós cantamos

enviando nossa remessa

para a sua vasta promessa

 

São um problema para o piloto

A chuva & o mar sequioso

de aço desejoso

 

Ora uma pequena Americana Reza

Um quieto animal observa

a nave forte que aterra

 

Nós cavalgamos em pneus de ópio

do colossal

aeroporto o jogo de xadrez

ao amanhecer, notícias dos copos

na noite cansada

 

pousamos então em calma

neblina, além do tempo

fora deste estranho rio

 

Então alegres através

de uma manhã perdida

felizes por estar vivos para os

sinais da vida

um cão

uma aluninha

estaremos no Harlem?

 

Bênçãos

 

aceita esta antiga

sabedoria

que viajou

noite e dia para nos saudar

Do Leste

com o sol

 

Clame por ele

Da montanha

alta, de altas

torres

 

enquanto a cabeça se

rebela

& percorre seu caminho

à liberdade

 

nos prometa mais um dia

& hora

o herói deste sonho

que cura e nos guia

 

Perdoe-me, Negros

vocês que se unem

enquanto eu temo & brevemente

caio na escuridão

 

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James Douglas Morrison

CIÊNCIA DA NOITE

 

Terra Ar Fogo Água

Mãe Pai Filhos & Filhas

Aeroplano na noite estrelada

Primeiro susto

A Floresta segue livre

Eu amo a ti

Olha como eu amo a ti

 

Os Políticos do êxtase são reais

Você não os sente trabalhar

através de você

Tornando noite em dia

Misturando o sol com o mar.

 

Domínio da razão

Dor selvagem

ambiente nadando cruel

docemente nadando o sorriso do peixe no anzol

Eu amo todos vocês enquanto

ainda a criancinha

pela mão

se empertiga

 

Você aprende rápido

 

Saia da calçada

ouça as crianças falarem

 

Sol de cobra/ Sorriso febril

— Nenhum homem me mata

 

“Quem é este louco mensageiro?”

 

Em tempos como este nós precisamos

de homens ao nosso redor que possam

ver claramente & falar a verdade.

 

Sem fôlego

 

Testemunha delirante

— Quem vem?

— Ásia.

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James Douglas Morrison

CASSANDRA E O POÇO

 

Socorro! Socorro! Salve-nos

Salve-nos!

Estamos morrendo, cara, faça alguma coisa.

Tire-nos daqui!

Salve-nos!

Eu estou morrendo.

O que nós fizemos agora!

Nós fizemos isso, cara, nós cometemos o

 

Ajuda!

Este é o nosso fim, cara.

Eu te amo cara.

Eu te amo cara.

Eu te amo porque você é você.

 

Mas, você tem que nos ajudar.

O que nós fizemos, cara.

O que nós fizemos agora.

 

 

Onde estão meus sonhadores

Hoje & esta noite.

Onde estão meus bailarinos

saltando insanos

girando & gritando

 

Onde estão minhas consortes

calmamente sonhando

presas como anjos

no pórtico escuro

do rancho de veludo

dancem dancem dancem dancem

dancem dancem dancem

 

 

Foi uma noite magnífica em minha vida

Embora uma esposa eu não tivesse ainda

Amigos ao meu lado aqui eu tinha

 

Índios espalhados na estrada amanhecida

a multidão de espíritos na cabeça da criança vazia

 

Escalamos o muro

Viajamos pelo cemitério

Antigas formas estavam ao nosso redor

Não havia música mas a relva molhou

sentida fresca além do nevoeiro

 

Dois trepavam no canto do sossego

alguém perseguia no escuro um coelho

Uma mina encheu a cara & xingou os defuntos

E eu preguei a mim mesmo sermões mudos

 

Cemitério fresco e calmo

Odeio deixar seu solo sagrado

Temo o amanhecer leitoso e claro

 

Neste grito a plenos pulmões sexuados

Nós devemos tentar de novo

falar das desunidas

milhas soníferas ao redor

de nós

Catando cavacos através do cansaço

Números castos

 

Na sala azulejada

Nós sentamos & aninhamos

Recuse se mover

Os guardas recusam

 

e no último lugar

e no último doce suspiro

& no derrame do caranguejo sábio chinês

 

e nas estrelas da abundância, estrelas da ganância

no livro escrito & majestades

na satisfação no rochedo

no interior da margarina

nas costas macias & camelos

no vaso aberto

na veia

nas vidas inauditas

que presenciaram tudo

 

Para aquelas pessoas que morreram

pelo Nirvana

pela crença divina

por ti, por mim

 

Estas linhas foram escritas

para transmitir a mensagem

Para ignorar o aviso

 

Para a farra além

das tantalizantes vozes

Para visitar o fundo do mar

Creiam

Coisas mais terríveis do que a guerra

Coisas que não estão nas lendas

Grandes animais

em extinção

 

 

Todas essas monstruosas

palavras abandonadas, escorregando

pelas paredes

bambas do Inferno

caindo na

Noite/ Amigos de jejum

camaradas da mesma cruz

terrena amante do desastre

doce escuridão triste

derramada no acostamento

atirada ao fogo

grito silencioso

 

Argumente com fôlego

bem

enquanto eu grito

Meia-noite!

 

deve vir

como o sonho

esperma

não convidado

do centro

Fronteira

onde o licor

feito

flutua

 

deve vir

sem querer

como o amanhecer

e sua suave pressa

Sem correria

os cabelos cacheiam

 

O telefone toca

Nós criamos o amanhecer

 

 

Eu caí na terra

& rapinei a neve

Eu casei com a vida

e respirei com minha medula

Eu vi jovens bailarinos

Eu sou carne & preciso de gasolina

Preciso do brilho emputecido das lágrimas

nas mulheres, de todas as idades

Sanduíche risonho, gasolina

para o almoço de mentes carnívoras

Agora foda-se, dance

Agora dance

ou morra lustroso & gordo na sua

poltrona fedida, ainda

afivelado para o voo

 

 

Se o escritor pode escrever &

o agricultor pode semear

Então todos os milagres concorrem,

aparecem & começam a acontecer

Se as crianças comem, se sua hora de

chorar fosse a Meia-noite

 

A terra precisa delas

delicados cães na neve

Aninhados na Primavera

Quando o sol faz vinho

& o sangue dança perigoso

nas veias ou nas vinhas

 

 

Ter acabado de vir imaginar

se o mundo é real é

doentio ver o corpo de que ela

é feita. Que delírio errante

nós sem querer criamos?

 

Certamente ninguém quis dizer isso

certo é que alguém começou

Onde ele está?

Onde ele está ou quando nós precisamos

dele?

Onde você está?

Numa flor?

 

 

Roda, Rondó, Ronda

Rubra rica rola ardilosa runa

rodo rosilho corre respeito

se você me entende.

Este é o concreto imaginário de Vermont

A boca me leva por esse caminho

Eu por lá

Não é bom sentar a mão muito devagar

Para existir no tempo nós devemos construir

prismas no vazio

A verdade rápida. Essas inseguras

demoras atirando a República

O sonho do presidente atrás

do trono

rápida febre alta na clínica

a sábia sífilis da doutora enfermeira

Índios americanos Atlantis

Salvem-nos guiem-nos na hora da necessidade

reza para as células do corpo

reza para o centro do homem reza

para o último sussurro da noite como

a mão desliza pacificamente para os espinhos

pacíficos pedras tempestuosas

Eu espero você vir

com negligência. Fala comigo!

não me deixe aqui sozinho, Tortura

na câmara da clínica. Eu conheço o homem

preso. As grades frias sua mãe

vai ajudar a acender o cigarro

Eu vou. Deus? Qual é o seu nome

 

Deve haver um jeito de definir

o acontecer parado de formas no espaço

posturas posadas em fotografias. O

Mundo por detrás do mundo & todo

discurso. Não pode agora

vir ter conosco em breve se vai tudo acaba

A República é uma grande cruz em uma

grande cruz a nação. O mundo em chamas

Taxi da África. O Grande Hotel

Ele estava bêbado. Uma grande festa lá

noite passada. Campos de pasto

maconha cobras invisíveis pássaros noturnos

águias noturnas desastres de verão

fora das portas ouça os leões

rugindo nos campos vazios

Estas são terras

esquecidas. Fale confidencialmente da

floresta o fim a piada

está em mim mas certamente

Deve haver alguém aqui que

sabe eles fazem mas eles não podem

Eu digo como alimentar a criança

Vinho como cheirar o córtex

listas de bebês azuis estado real

limpando escritórios palavra-vômito

sopa da mente piolho rastejante livros atados

 

O fluxo de sentimento leva novamente aos

perdedores indo em todas as direções

dormindo a essas horas loucas

Eu nunca vou acordar de bom humor

novamente. Eu estou enjoado destas

botas fedorentas. Histórias de animais

na floresta não estúpidas mas

como índios mijando fora de seus

olhinhos à noite. Eu conheço

a floresta & a maré diabólica da lua.

“Nós parecemos divertidos, não é cara?”

Mais que perfeito. Esquecido. Canções

são bons estímulos para risadas.

O cabeça de passarinho é um cara legal

Quem imaginaria labirintos & viver

num poço, Ele conheceu Jesus

conheceu  o Novo Homem conheceu &

Morganfield. Eu espero que você possa

entender estas últimas palavras

foram esperanças (menos) certas se você puder

reparar nelas como tudo mais além da

matéria. Certamente não mais do que

o seguimento da oração de mãos juntas & a

árvore do enforcamento. Agora aqui está a runa enrugada

 

Mulheres esquálidas das costelas de isca no

bairro bocejante & vagabundo

nadando na maré de poeira por comida

restos para alimentar a criança. Sem tardes

para missas. Os sinos da Igreja chamavam

os habitantes para o poço venha para o Inferno

para o sino venha funeral enfadonho

Um monte de negros soprando seus

sorrisos sombrios. Leprosos sem juízo –

homens de confiança. O filme é popular

Esta temporada em todos os hotéis

turistas ricos do continente

desembarcam & tecem histórias a noite

toda. Os pássaros contam & eles

sabem tudo. Telefones trapaceiros

& castanholas. As linhas estão ligadas

Ouça. eu ouvi vozes & tudo o mais

Esta longa distância da outra metade

Eu amo ouvir você rapaz vadio

cavação missionário. Um dia

O diabo chegou sozinho e ninguém conta

ou vai perder o efeito. Ele

caminhou até o púlpito & todos

revoltamos à letargia.

 

Prédios dourados não admitem interrupções.

 

Construções por todos os lados. Nossa

própria casa era sólida astrologia

Fracas flautas venceram os estorninhos

ao nascer do sol. E no estuário

armadilhas pararam nosso jantar

Ele veio pra casa com sacos de carne

& sacos de farinha & o pão

rosa & a família floresceu.

 

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James Douglas Morrison

 

Aqueles que correm para a morte

Aqueles que esperam

Aqueles que se preocupam

 

A aventura interminável uma vigília

de torres de observação e fortalezas

contra o mar e o tempo.

Eles ganharam? Talvez.

Eles ainda estão de pé e em

seus quartos silenciosos ainda vagam

as almas dos mortos,

que mantém sua vigilância pelos vivos.

Em breve nos juntaremos a eles.

Em breve nós vamos caminhar

nas paredes do tempo. Nós não vamos

perder nada

exceto um ao outro.

 

Cercar meu fogo sagrado

Eu quero. Ser simples, preto & limpo

Um obscuro nada

Por favor

O mar é verde

Fumaça

como a versão da criança do

Sonho de Natal

com o

despertar.

 

 

Por que o desejo da morte.

 

Um papel limpo ou uma pura

parede branca. Uma falsa

linha, um rabisco, um erro.

Inútil. Tão obscuro

pela adição de milhões de outros

traços, misturados,

cobertos.

 

Mas o esboço original

permanece, escrito

em sangue dourado, brilhando.

 

Desejo de uma vida perfeita.

 

(MORRISON, Jim. Wilderness: the lost writings of Jim Morrison. Volume 1. Vintage Books. New York, 1988. p.167-200)