Três poemas de George Arnold

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George Arnold

 

Beer

Here,

With my beer,

I sit,

While golden moments flit:

Alas!

They pass

Unheeded by:

And, as they fly,

I,

Being dry,

Sit, idly sipping here

My beer.

 

O, finer far

Than fame, or riches, are

The graceful smoke-wreathes of this cigar!

Why

Should I

Weep, wail, or sigh?

What if luck has passed me by?

What if my hopes are dead,

— My pleasures fled?

Have I not still

My fill

Of right good cheer,

— Cigars and beer!

 

Go, whining youth,

Forsooth!

Go, weep and wail,

Sigh and grow pale,

Weave melancholy rhymes

On the old times,

Whose joys like shadowy ghosts appear,

But leave me to my beer!

Gold is dross,

— Love is loss,

— So, if I gulp my sorrows down,

Or see them drown

In foamy draughts of old nut-brown,

Then do wear the crown,

Without the cross!

 

Cerveja

Aqui,

Com minha cerveja

Eu sento,

Enquanto voam dourados momentos.

Infelizmente!

Eles passam.

Desatentos por aqui.

E como se voassem.

Eu,

Estou seco,

Sentado, frívolo bebericando aqui

Minha cerveja.

 

Ó, quão distante

Da fama, ou dos ricos, está

A guirlanda da fumaça deste cigarro!

Por que

Eu devo

Chorar, gemer, ou suspirar?

E daí que a sorte passou por mim?

E daí que minhas esperanças estão mortas?

Meus prazeres fugiram?

Eu ainda não tenho

Minha cota

De bons brindes

— Cigarros e cerveja!

 

Vai, jovem queixa,

De qualquer jeito!

Vai, chora e geme,

Suspira e empalidece,

Tece rimas melancólicas,

Dos velhos tempos,

Cujas alegrias como fantasmas aparecem,

Mas me deixe com minha cerveja!

— Ouro inútil,

— Amor inútil,

— Então, que eu engula minhas mágoas,

Ou as veja se afogar,

Em borbulhantes bolhas de um castanho velho,

Até ser coroado,

Sem a cruz!

 

 

 

Wine song

As I pour the wine,

I behold its sparkles bright:

— ’T is the light Beaming, lady mine,

In those eyes of thine,

— Beaming deeply bright.

As I pour the wine,

I behold its rosy flush:

— ’T is the blush Mantling, lady mine,

That fair face of thine,

— Rosy-tinted blush.

As I pour the wine,

Its fragrance I descry:

— ‘T is the sigh

 

Coming, lady mine,

From that mouth of thine,

— Love’s half-stifled sigh.

As I drink the wine,

Thrills my heart with sudden bliss Like the kiss

That proclaims thee mine….

Is there aught divine Save a lover’s kiss?

 

Canção do vinho

Quando eu verto o vinho,

Eu contemplo seu reluzente brilho:

— É a luz radiante, minha senhora,

Reluzindo profundamente brilhante.

Quando eu verto o vinho,

Eu contemplo seu corar vermelho:

— Este rubor que encobre, minha senhora,

A tua face jovial,

— Tingida de rubro rubor.

Quando eu verto o vinho,

Sua fragrância eu atino

— Suspiro

 

Vindo, minha senhora,

Da tua boca,

— O amor quase sufocado suspira.

Quando eu bebo o vinho,

Arrepia meu coração com uma súbita benção

Como o beijo

Que tu me declaras…

Mais divino que o beijo da amada?

Não há nada.

 

 

The jolly old pedagogue

‘Twas a jolly old pedagogue, long ago,

Tall and slender, and sallow and dry;

His form was bent, and his gait was slow,

His long, thin hair was as white as snow,

But a wonderful twinkle shone in his eye;

And he sang every night as he went to bed,

“Let us be happy down here below:

The living should live, though the dead be dead,”

Said the jolly old pedagogue, long ago.

 

He taught his scholars the rule of three,

Writing, and reading, and history, too;

He took the little ones up on his knee,

For a kind old heart in his breast had he,

And the wants of the littlest child he knew:

“Learn while you’re young,” he often said,

“There is much to enjoy, down here below;

Life for the living, and rest for the dead!”

Said the jolly old pedagogue, long ago.

 

With the stupidest boys he was kind and cool,

Speaking only in gentlest tones;

The rod was hardly known in his school.

Whipping, to him, was a barbarous rule,

And too hard work for his poor old bones;

Besides, it was painful, he sometimes said:

“We should make life pleasant, down here below,

The living need charity more than the dead,”

Said the jolly old pedagogue, long ago.

 

He lived in the house by the hawthorn lane,

With roses and woodbine over the door;

His rooms were quiet, and neat, and plain,

But a spirit of comfort there held reign,

And made him forget he was old and poor;

“I need so little,” he often said;

“And my friends and relatives here below

Won’t litigate over me when I am dead,”

Said the jolly old pedagogue, long ago.

 

But the pleasantest times that he had, of all,

Were the sociable hours he used to pass,

With his chair tipped back to a neighbor’s wall,

Making an unceremonious call,

Over a pipe and a friendly glass:

This was the finest picture, he said,

Of the many he tasted, here below;

“Who has no cronies, had better be dead!”

Said the jolly old pedagogue, long ago.

 

Then the jolly old pedagogue’s wrinkled face

Melted all over in sunshiny smiles;

He stirred his glass with an old-school grace,

Chuckled, and sipped, and prattled apace,

Till the house grew merry, from cellar to tiles:

“I’m a pretty old man,” he gently said,

“I’ve lingered a long while, here below;

But my heart is fresh, if my youth is fled!”

Said the jolly old pedagogue, long ago.

 

He smoked his pipe in the balmy air,

Every night when the sun went down,

While the soft wind played in his silvery hair,

Leaving its tenderest kisses there,

On the jolly old pedagogue’s jolly old crown:

And, feeling the kisses, he smiled and said,

‘Twas a glorious world, down here below;

“Why wait for happiness till we are dead?”

Said the jolly old pedagogue, long ago.

 

He sat at his door, one midsummer night,

After the sun had sunk in the west,

And the lingering beams of golden light

Made his kindly old face look warm and bright,

While the odorous night-wind whispered “Rest!”

Gently, gently, he bowed his head.

There were angels waiting for him, I know;

He was sure of happiness, living or dead,

This jolly old pedagogue, long ago!

 

O velhinho pedagogo

Era um velhinho pedagogo, tempos atrás;

Alto e magro, e pálido e esguio;

Sua forma curvada, seu passo era leve,

Seus cabelos de palha tão brancos qual neve,

Mas brilhava em seu olho um certo fascínio;

E ao ir para a cama à noite cantava:

“Sejamos felizes que a vida aqui é breve

Os vivos que vivam, aos mortos a cava,”

Dizia o velhinho pedagogo, tempos atrás.

 

Ensinava a regra de três aos pimpolhos,

Escrevendo e lendo a história também;

Colocava os meninos sobre os joelhos,

Pois tinha um coração bondoso e velho,

E aos seus pequenos amigos prescreve:

“Aprendam enquanto jovens, eu sempre digo;

Há muito a desfrutar, que a vida aqui é breve

Vida para os vivos, e aos mortos jazigo!”

Dizia o velhinho pedagogo, tempos atrás.

 

Com os meninos estúpidos era bom e tranquilo,

Falando sempre em palavras gentis,

A vara em sua sala não tinha inquilino,

Bater, para ele, era regra imbecil,

E trabalheira danada aos seus ossos senis,

Além disso doía e ele às vezes dizia:

“Façamos a vida boa que aqui ela é breve,

Cuidemos dos vivos e aos mortos seus vermes,”

Dizia o velhinho pedagogo, tempos atrás.

 

Morava na rua das castanheiras,

Com rosas e heras trepando no batente,

Suas salas eram quietas, e arrumadas e simples,

Mas o espírito do conforto reinava lá dentro,

E o fazia esquecer que era velho e carente,

“Eu preciso de pouco”, ele falava muito;

“E meus amigos e parentes que a vida aqui é breve,

Não briguem por mim quando eu for um defunto,”

Dizia o velhinho pedagogo, tempos atrás.

 

Mas, de todos, o melhor tempo que tinha,

Eram as horas entre amigos que costumava passar,

Com sua cadeira apoiada na cerca da vizinha,

Batendo um bom papo sem se preocupar,

Às vezes um pito e um trago amigável,

Isso é o melhor que se há de pintar, falava,

O que dava gosto, pois a vida era breve,

“Quem não tem amigos melhor ter partido!”

Dizia o velhinho pedagogo, tempos atrás.

 

Então a cara dele ainda mais enrugada,

Se derretia toda com o sorriso dos sóis;

Levantava seu copo com uma graça acanhada,

Ria e bebia, e falava depois,

Até a casa rir toda, do chão até as telhas:

“Eu estou bem velhinho”, dizia gentil,

“Eu vivi um longo tempo, a vida aqui é breve,

Meu coração é tenro, mas minha juventude partiu!”

Dizia o velhinho pedagogo, tempos atrás.

 

Fumava seu cachimbo no ar sereno,

Toda noite quando o sol se punha,

Mexia-lhe nos brancos cabelos o vento,

Deixando seus ternos beijos por lá,

Na coroinha velhinha do velhinho pedagogo,

Sentindo esse carinho, sorria e dizia,

Foi um mundo glorioso, a vida aqui é breve,

“Por que a felicidade após a morte é esperada?”

Disse o velhinho pedagogo, tempos atrás.

 

Sentou-se em sua porta numa noite no verão,

Depois que o sol no oeste se deitou,

E os flocos de luz se esvaíram,

Dando à sua gentil face calor e brilho,

Enquanto o cheiro do vento da noite disse “Descansa!”

Gentilmente, gentilmente, ele pendeu sua cabeça.

Havia anjos esperando por ele, eu estou certo,

Ele seria feliz disso estava convicto, vivo ou morto,

O velhinho pedagogo, tempos atrás!

 

pfaffs

Pfaff’s beer cellar in 1857.

 

ARNOLD, George. The poems. Complete edition. Edited, with a biographical sketch of the poet by William Winter. Boston and New York. Houghton, Miflin and Company: The Riverside Press Cambridge, 1889.

Disponível aqui

(p. 139; p. 239 e p. 52-56.)

Informações sobre o autor, disponíveis aqui

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