Paul Verlaine

Jovem Paul Verlaine, Gustave Courbet (1819–1877)

VII

Le paysage dans le cadre des portières

Court furieusementee, et des plaines entières

Avec de l’eau, des blés, des arbres et du ciel

Vont s’engouffrant parmi le tourbillon cruel

Où tombent les poteaux minces du télégraphe

Dont les fils ont l’allure étranges d’un paraphe.

 

Une odeur de charbon qui brûle et d’eau que bout,

Tout le bruit que feraient mille chaînes au bout

Dequelles hurleraient mille géants qu’on fouette;

Et tout à coup des cris prolongés de chouette.

— Que me fait tout cela, puisque j’ai dans les yeux

La blanche vision qui fait mon coeur joyeux,

 

Puisque la douce voix pour moi murmure encore,

Puisque le Nom si beau, si noble et si sonore

Se mêle, pur pivot de tout cce tournoiement,

Au rhytme du vagon brutal, suavemente.

 

VII

A paisagem na moldura dos postigos

Corta furiosamente, e os planos inteiriços

Com a água, o trigo, as árvores e o céu

Querem se engolfar entre o turbilhão cruel

Onde tombam os postes magros do telégrafo

Cujas linhas rabiscam breves um autógrafo.

 

Um odor de carvão queimado e água fervente,

Todo o som que faria ao soar mil correntes

Com as quais gritando açoitassem mil gigantes;

e de repente as porradas dos porretes incessantes.

— Tanto faz tudo isso, já que eu tenho na vista

A branca visão que o meu coração atiça,

 

Pois que para mim o doce voto murmurante,

O Nome tão belo, tão nobre e tão sonante,

Se vira, para virar de vez sua rodada,

No ritmo suave da máquina desgovernada.

 

(VERLAINE, Paul. La bonne chanson)

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