caderno felino do suicida

Decálogo — o caderno felino do suicida

1. o caderno felino do suicida surgiu como um projeto de fazer um livro em parceria com as ilustrações de Bruno Sanroman, mas, por força do destino tal projeto não foi adiante.

2. o caderno felino do suicida é meu terceiro livro de poemas, ao mesmo tempo que dialoga com os outros dois, é uma ruptura em relação a eles e uma espécie de ponto de chegada do que andei fazendo nos termos da poesia nos últimos trinta anos.

3. o caderno felino do suicida é a impressão de minhas impressões do tempo presente, do homem presente que sou, fruto, evidentemente, do meu passado que me precede ao meu futuro que fica para trás.

4. o caderno felino do suicida é o resultado pela busca de uma linguagem minha na sua singularidade, distanciada da cadeia do formalismo preconcebido do senso comum, tanto no que diz respeito a um falar poético, quanto na cotidianidade do sentir.

5. o caderno felino do suicida está vinculado a um expressar consciente do inconsciente, muitas vezes ao expressar inconsciente do inconsciente ou um expressar inconsciente do consciente, que é onde creio que a poesia se faz, mas jamais um expressar consciente do consciente.

6. dos três pilares que constituem uma obra de arte e sem os quais ela não existe e não sobrevive, tenho claro que conquistei dois, sou um autor (1) e tenho uma obra (2), o terceiro pilar não creio que serei capaz de conquistar, porque leitores (3) são escassos, leitores de poesia são ainda mais escassos, leitores da minha poesia são ainda ainda mais escassos.

7. o caderno felino do suicida se constitui, portanto, na prévia de um longo hiato de minha futura produção poética, por enquanto, “pra mim chega”.

8. o caderno felino do suicida não nutre esperanças de ser o biscoito fino que um dia será devorado, ao fim e ao cabo duvido que cozinho biscoitos finos, ao menos de acordo com o paladar de muitos, mas tenho a certeza de que cozinho para poucos, meu pouco e aos poucos.

9. o caderno felino do suicida é um livro honesto que a medida escassa de meu talento foi capaz de produzir, pode ter inúmeros defeitos que, no entanto, só ampliam a sua dimensão humana, é de humanidade que se trata, afinal.

10. o caderno felino do suicida é, por fim, meu grito de solidão e silêncio, é a angústia e o tormento, o sentimento intrasferível de estar vivo num mundo de máquinas, tecnologia e gente morta.

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